O tema que abordo neste texto, e que diretamente tem a ver com a minha ação no clube, é a importância o treino de Força em jovens atletas.

Este é um tema que sempre causou alguma controvérsia, mas a razão para isso suceder é simples, há um desconhecimento generalizado sobre os seus benefícios.

A força é a capacidade de superar ou sustentar uma resistência exterior, sendo a causa do movimento e não existindo isolada das outras capacidades, estando intimamente ligada à técnica e à velocidade (Barros 2003). Vigora a opinião de que a força prejudica o desenvolvimento da flexibilidade. Isso é FALSO! Tal só sucederá se se alcançarem volumes musculares exagerados (pelas limitações anatómicas que provocam) e/ou se o trabalho de Força não se fizer acompanhar de um trabalho de flexibilidade. (Garganta et al., 2003). Um caso paradigmático de atletas com níveis elevadíssimos de força e flexibilidade são os ginastas.

Existe também, alguma preocupação de que o treino intenso e regular de Força possa, de alguma forma, prejudicar o crescimento da estatura do jovem atleta. É FALSO!  Quem o diz é Borms, 1985 e Naughton, 2000.  Não existem estudos que comprovem esta situação, bem pelo contrário. Há quem refira que a prática regular de força, se bem orientada, pode estimular o crescimento e a maturação biológica (Barros, 2003). Se algumas modalidades apresentam atletas, que por norma são mais baixos que a população, isso deve-se a fatores de seleção dessa modalidade, no outro extremo, não há evidência que o voleibol ou o basquetebol induza o crescimento dos atletas.

 No treino tradicional de musculação (máquinas), devido à inerente baixa complexidade coordenativa, não melhora expressivamente a coordenação (Garganta et al., 2003), ao invés, se introduzirmos os levantamentos olímpicos estamos a apelar significativamente à coordenação intra e intermuscular, e há autores que os aconselham em programas de treino avançado (Emma, 2003; Fleck, 2004; Kraemer, 2004; Pyka, 1996). Assim nos jovens deve privilegiar-se os exercícios multiarticulares.

Na minha opinião, crianças com 7 ou 8 anos de idade estão mentalmente prontas para entender a primeira fase de um programa de treino de força, porque treinar força nem sempre significa que estamos a lidar com pesos.

Para quem está a iniciar, treinar pode significar fazer exercícios disfarçados de jogos. Coisas simples como imitar animais para fortalecer grupos musculares, pode ser importante. Por exemplo, saltar como um canguru ou andar como um urso pode ser uma maneira divertida das crianças ficarem mais fortes sem se aperceberem que se estão a exercitar. Quando um jovem atleta progride nesses exercícios e constrói uma base de força, podemos adicionar algumas fontes externas de resistência, como bolas ou pesos adequados à sua idade. Repare que hoje em dia um atleta com 16 anos e que nunca tenha feito um treino progressão de força, já inicia tarde o seu programa de desenvolvimento dessa capacidade. Porquê?  Porque o seu TRAINING AGE é 0. Ao invés, um jovem com 10 anos, que tenha iniciado o seu programa aos 7 anos, o seu training age é de 3 anos. Embora ambos estejam a começar o mais jovem com alguma sorte, conseguirá ter mais resistência a lesões que advêm das cargas de treino na sua modalidade. É fundamental que certas habilidades sejam adquiridas em janelas de desenvolvimento específicas, permitindo que os atletas tenham a melhores chances de sucesso na sua modalidade preferida. O treino de Força não é apenas benéfico para os atletas jovens, mas também para as crianças que estão acima do peso e não são tão atléticas. As crianças com excesso de peso conseguem levantar pesos e muitas elas têm sucesso imediato.  Isso pode ser um estímulo para se sentirem confiantes e motivadas a participar em modalidades que são necessárias habilidades atléticas ou cardiovasculares.

O Naval está sempre a preparar o futuro. Sabemos que nem todos serão atletas de topo, mas é nossa missão  ensinar-lhes os princípios do treino, quem sabe um dia não venham os novos utentes do ginásio Naval AquaGym.

Duarte Pinto

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